A marca portuguesa de vestuário de criança registou um crescimento no mercado norte-americano, que se tornou o seu principal mercado, e prepara novas estratégias para 2026, apostando na expansão em Portugal e na Europa.
A Wolf & Rita viveu um ano de 2024 estável, mas com importantes mudanças nos mercados internacionais. «No ano passado estávamos em velocidade cruzeiro, estáveis. Temos uma pequena descida no Japão, porque o mercado está com muitas dificuldades económicas, mas crescemos muito nos EUA, que passou a ser o nosso primeiro mercado» e a ocupar 25% da faturação, afirma Sónia Rocha ao Portugal Têxtil.
Segundo a cofundadora da marca, a Ásia, que até então era o principal mercado, foi ultrapassada pelos EUA, impulsionados por um novo distribuidor que trabalha «com uma comunidade muito específica, os judeus ortodoxos de Brooklyn», que tem «um grande poder de compra e que está a abraçar a Wolf & Rita».
Com a coleção de outono-inverno 2025 a registar boa aceitação também com vendas online nos EUA, Sónia Rocha reconhece que o próximo desafio está nas tarifas alfandegárias. «Acreditamos que as vendas online vão descer. O desafio e a estratégia será aumentar as vendas para lojas, para que consigam satisfazer mais as necessidades do mercado através das lojas lá. Porque o preço que nós vendemos, de wholesale, e o modelo de negócio que temos feito já cobre as taxas», explica.
A marca regista também uma evolução favorável no Médio Oriente, com presença no Kuwait, Qatar, Arábia Saudita e com os pontos de venda a aumentar. «É um mercado que, não sendo ainda representativo como os EUA, está a crescer», aponta a cofundadora da Wolf & Rita. Atualmente, o Médio Oriente representa cerca de 15% do volume de negócios da marca, enquanto a Ásia ronda entre 15% e 17%.
Em contrapartida, o mercado português mantém-se «muito residual». Sónia Rocha reconhece que «todas as lojas que tivemos a vender Wolf & Rita, infelizmente, não sobreviveram». Ainda assim, as vendas online colocam Portugal entre o terceiro e o quarto mercado, especialmente em períodos de promoções. «A nossa principal estratégia para 2026 é fazer um trabalho de marketing e de comunicação para o mercado português, para ver se temos aqui alguma margem de crescimento», revela.

Na Europa, o foco recai sobre o Benelux, particularmente nos Países Baixos e na Bélgica, países que Sónia Rocha considera com maior potencial. «Estamos agora a trabalhar com uma consultora e, a seguir, vamos passar isso para a parte da comunicação, desmistificar a ideia que as pessoas têm da Wolf & Rita ser uma marca muito inatingível e de moda», explica a cofundadora da marca. No entanto, esclarece que, apesar da «imagem tão forte», «60% da coleção é malha, facilmente combinável com outras marcas. Mas as pessoas não veem isso e nós estamos a fazer um trabalho de simplificação da coleção e tornar as coleções mais comerciais, para depois conseguir comunicar isso».
A coleção atual, lançada em agosto, está em linha com as dos anos anteriores e, «apesar de a situação económica não estar famosa no Japão e o frio ainda não ter começado, a Wolf & Rita está com uma sales performance acima de outras marcas. Portanto, estamos contentes com os resultados que esta coleção está a ter», conclui.
