A empresa de confeção vai avançar com a construção de novas instalações de raiz, num investimento de cerca de dois milhões de euros, com o objetivo de modernizar processos e responder às exigências crescentes da indústria.
O novo espaço, com 3.500 metros quadrados, já está projetado e permitirá maior eficiência produtiva, sustentabilidade e organização.
«Estamos a falar de um projeto de raiz, completamente pensado para a nossa realidade», afirma Abel Barbosa, diretor de produção da empresa. «As atuais instalações foram sendo adaptadas, mas agora queremos um espaço otimizado, com layout definido de início e preparado para responder às certificações e auditorias que temos», acrescenta Antonieta Barbosa, diretora-geral da empresa.
Depois de alguns anos de ausência, a Soeiro regressou recentemente às feiras internacionais, nomeadamente à Première Vision, tanto nos EUA como na Europa, numa tentativa de avaliar tendências e reforçar a sua presença no mercado.

«O mundo está muito diferente e sentimos necessidade de voltar a estas feiras para perceber o estado do mercado. Nos EUA tivemos uma boa estreia e agora queremos crescer mais nesse mercado, ao mesmo tempo que consolidamos a nossa posição na Europa», sublinha a diretora-geral.
Com uma equipa de cerca de 90 colaboradores, a Soeiro dedica-se à confeção para homem e senhora, trabalhando tanto com tecidos como com malhas circulares. Nos últimos anos, a sustentabilidade tornou-se eixo central da produção.
«Neste momento, cerca de 30% da nossa produção já é certificada GOTS ou OCS. Trabalhamos cada vez mais com matérias-primas orgânicas e recicladas, procurando oferecer soluções que respondam às exigências dos clientes internacionais», destaca o designer Diogo Trindade.

O criativo acrescenta que a empresa procura desenvolver propostas versáteis e duradouras. «Não somos uma marca de autor, somos uma fábrica de confeção. Criamos coleções para inspirar os clientes, dando prioridade a fibras regeneradas e com uma lógica intemporal, para que possam prolongar-se de estação em estação», realça.
Apesar dos avanços, e refletindo um pouco o panorama geral da indústria, os últimos anos não foram fáceis para a Soeiro, que em 2024 registou uma quebra de 15% no volume de negócios face a 2023, para cinco milhões de euros.
«O setor vive um ambiente de instabilidade permanente, desde a pandemia à guerra na Ucrânia, passando pela inflação na Europa. Temos de ser resilientes e continuar a investir», acredita Antonieta Barbosa, que reforça que «tudo o que temos feito, seja na compra de máquinas ou na formação em sustentabilidade, tem sido com capital próprio».
As obras das novas instalações deverão arrancar ainda em 2025, com a inauguração prevista para o próximo ano.

