1 de Agosto, 2024 info@soochy.com

Recomendações para o novo Governo – a visão da Siena

Antes de saberem o resultado das eleições de 10 de março e de como seria constituído o próximo Governo do país, os empresários questionados pelo Jornal Têxtil apontaram algumas das prioridades e eventuais medidas que deveriam ser assumidas nos próximos tempos. O reconhecimento da importância da indústria têxtil e vestuário na economia e estrutura social do país foi uma das referências, a juntar-se à revisão fiscal, tributação sobre o trabalho, apoios à internacionalização e modernização, incluindo na transição digital, defesa dos interesses da indústria em Bruxelas, mas, sobretudo, a estabilidade desejada para que as empresas possam ser competitivas nos mercados internacionais.

Esta é a perspetiva de Ricardo Ferreira, administrador da Siena.

«Uma coisa que gostaríamos é que o Portugal 2020 tivesse efeito, que terminasse e que as poucas verbas que estão disponíveis chegassem às empresas. O que gostaríamos é que o PRR tivesse chegado às empresas de alguma forma que fosse mais visível. Sabemos, é público, que a maioria do dinheiro foi para o Governo e para os próprios gastos do Governo e não para a economia real. Quem traz a recuperação para os países são as empresas, não é o Governo. Isso não aconteceu, acho que foi uma oportunidade perdida. Espero que algum do dinheiro que ainda esteja disponível chegue efetivamente às empresas. Obviamente sabemos que os custos vão continuar a subir e gostaríamos de ser compensados de alguma forma, com mais apoios financeiros, com melhores apoios à internacionalização e à formação profissional, apoios à contratação de quadros. etc. Já existe, não me posso queixar dessa situação, é verdade que existe, mas é preciso mais apoios. E que tudo seja mais célere, porque demora tudo imenso tempo.

Depois temos o problema do envelhecimento dos trabalhadores nesta indústria. É um problema grave e vai ser, na verdade, o nosso maior problema. Outra coisa que é importantíssima é a nível fiscal: tem de haver uma reforma fiscal. Não falo tanto em IRC, porque as empresas pagarão mais ou menos IRC conforme também inovem e invistam, aí não será tão importante, mas, efetivamente, no IRS. Pagamos pessoas com vencimentos, por exemplo, de 1.800 euros ou algo do género, que pagam uma taxa de IRS como se fossem pessoas de altíssimos rendimentos, como se tivessem salários milionários – são valores de IRS completamente incomportáveis. Com os escalões de IRS que temos, queremos dar aumentos às pessoas e muitas vezes aumentamos, custa-nos muito mais dinheiro, mas as pessoas recebem menos, que é completamente absurdo. Algo tem de ser feito e com urgência. Efetivamente o salário mínimo tem subido muito, mas os salários médios têm de ter condições para subir. Neste momento, os escalões de IRS são autênticos obstáculos à melhoria das condições das pessoas. Acho que o próximo Governo tem de agir imediatamente aí. Tem de fazer uma coisa, tem de melhorar o IRS para ser amigo das empresas, amigo da economia, amigo das pessoas de uma maneira geral e amigo do progresso do país, porque é um refreio nítido ao progresso do país».

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