Antes de saberem o resultado das eleições de 10 de março e de como seria constituído o próximo Governo do país, os empresários questionados pelo Jornal Têxtil apontaram algumas das prioridades e eventuais medidas que deveriam ser assumidas nos próximos tempos. O reconhecimento da importância da indústria têxtil e vestuário na economia e estrutura social do país foi uma das referências, a juntar-se à revisão fiscal, tributação sobre o trabalho, apoios à internacionalização e modernização, incluindo na transição digital, defesa dos interesses da indústria em Bruxelas, mas, sobretudo, a estabilidade desejada para que as empresas possam ser competitivas nos mercados internacionais.
Esta é a perspetiva de Márcia Cortinhas, diretora comercial da Lima & Companhia.
«Era importante terem noção da nossa importância na sociedade portuguesa. Somos muito olhados como números. É mais uma empresa, menos uma empresa. Mas na minha empresa, com apenas 190 pessoas, trabalham famílias completas. Trabalhamos com essa responsabilidade social sobre quem lá temos. O têxtil atravessa sempre períodos tão complicados que às vezes o melhor mesmo era deitarmos a toalha ao chão e ir embora. Mas não é fácil. Há uma responsabilidade social. O Governo deveria olhar para o têxtil. Somos altamente exportadores, um sector que não se deixa ir abaixo. Estamos sempre aqui, luta após luta, a resiliência é a nossa marca forte e acho que deveríamos ser mais apoiados, mais vistos, mais ajudados e não ver o sector têxtil como algo que vai acabar. Investir para nos tornarmos mais competitivos, porque também não adianta complicar para nos tornarmos menos competitivos. Ou nos protegem em relação aos mercados externos à Europa, ou então, pelo menos, que contribuam para que consigamos evoluir, para nos tornarmos mais competitivos, estarmos mais à frente, se calhar, numa gama mais alta. Apoiar-nos nessa caminhada».
