«Como temos uma grande procura da parte de marcas novas, que ainda se estão a estabelecer, sentimos a necessidade de as orientar. As marcas vêm até nós e nós desenvolvemos os modelos que gostarem. Ajudamos no desenvolvimento, no sourcing dos fios, que normalmente são italianos, e depois desenvolvemos o produto», aponta a diretora de produção da empresa, sediada em Penafiel.
Em 2017, num período mais «complicado» para a empresa, a decisão foi de internacionalizar e lançar o segmento de roupa para criança e bebé. «Quando começámos a internacionalização, vimos que havia um gap, porque normalmente os malheiros na nossa área das malhas retas não gostam muito de fazer roupa de criança. São trabalhos muito pormenorizados, que levam pouco fio, mas nós gostamos», indica Soraia de Beça Teixeira.
Desde então, a produtora de malhas tem estado empenhada em expandir a sua presença além-fronteiras, com destaque para os EUA e a Alemanha. «Não somos uma empresa conhecida pelo preço, no sentido de fazermos valores muito acessíveis. Somos uma empresa de qualidade e os clientes que nos procuram têm de ter essa noção. Então há mercados, por exemplo o espanhol e o do Reino Unido, que são de preço, que não nos favorecem tanto, devido à competitividade cerrada», detalha a representante e segunda geração da empresa.
De acordo com Soraia de Beça Teixeira, o maior desafio que a produtora encontra é falta de planeamento sustentável a longo prazo. «Não sabemos aquilo com que contar», já que os clientes exigem uma produção imediata, a curto prazo, o que dificulta o planeamento futuro, especialmente nas coleções de verão. Esta situação tem exigido um esforço extra do departamento comercial, que tem crescido, para ser capaz de lidar com a constante necessidade de se reinventar e gerar novas oportunidades de vendas. Mesmo assim, com uma faturação de cerca de um milhão de euros registada em 2024, a produtora de malhas conseguiu manter o volume de negócios em comparação com o período homólogo anterior, mesmo com um ano «complicado para toda a gente», ressalta.
Para se adaptar ao mercado, a Madalena Beça Knitwear, que emprega 25 pessoas, investiu recentemente em máquinas novas e pretende continuar a fazê-lo para tentar «fazer uma produção mais rápida e também dar um melhor preço». Outro objetivo passa por diversificar a carteira de clientes, uma vez que, neste momento, é ocupada em 95% por Portugal, «porque o mercado europeu está em crise», refere a diretora de produção, acrescentando que os EUA, que representam 20% das exportações, poderão ser uma região a apostar mais.
Para o futuro, a empresa ambiciona crescer e mudar de instalações, por ainda se encontrarem nas mesmas onde a empresa nasceu. «Fomos reconstruindo e aumentando, mas a estrutura tem o peso de 30 anos», sublinha Soraia de Beça Teixeira.

