Com mais de três décadas de história, a empresa de Guimarães especializada em vestuário de banho tem vindo a investir na internalização de processos produtivos, como a sublimação, e na expansão para novas categorias de produto para compensar a sazonalidade.
Fundada há 32 anos, a Luipex opera em regime de private label e, com 80 trabalhadores, assegura todas as etapas produtivas da produção de vestuário, desde a aquisição de matérias-primas, modelagem e impressão até ao corte, confeção e embalamento. Os materiais são adquiridos sobretudo em França, Portugal e Espanha e a exportação representa cerca de 85% da produção, destinada principalmente à Europa, EUA e Austrália.
O investimento mais recente no processo produtivo aconteceu há cerca de dois anos, altura em que passou a realizar a sublimação 100% internamente, anteriormente subcontratada. Os 100 mil euros investidos permitem ainda prestar o serviço a «outros fornecedores e está a resultar muito bem», revela Miguel Freitas, diretor comercial e segunda geração na empresa familiar.
O corte a laser foi reforçado com uma segunda máquina há cerca de quatro anos e hoje cobre quase a totalidade do processo, com exceção dos forros. De acordo com o diretor comercial da Luipex, a substituição do corte manual permitiu reduzir «em mais ou menos 30% o desperdício de resíduos» associados à tarefa.
No segundo semestre de 2025, a empresa ampliou a instalação de painéis fotovoltaicos, elevando a cobertura do consumo energético através de energia solar para cerca de 90%. «Há alturas em que é 100%», afirma Miguel Freitas ao Portugal Têxtil, acrescentando que a limitação se concentra nas fases de arranque dos equipamentos, quando o consumo é mais elevado.
Na área dos materiais, a Luipex trabalha maioritariamente com poliéster e poliamida, mas estima que cerca de 80% das matérias-primas utilizadas já correspondem a versões recicladas. «Estamos a conseguir que os clientes optem pelo reciclado», indica o diretor comercial, referindo que a convergência de preços entre as opções convencionais e recicladas tem facilitado a transição. As embalagens, incluindo sacos de transporte de resíduos, foram igualmente substituídas por plástico reciclado.
Desporto e praia integram oferta
Embora o vestuário de banho continue a representar cerca de 90% da produção, a Luipex formalizou, nos últimos quatro anos, a aposta no vestuário de desporto e de praia como oferta complementar. A categoria já existia anteriormente na empresa, mas sem divulgação ativa. «Com as tendências do sportswear e do fitness sempre a aumentar e os nossos clientes a pedir, decidimos também começar a expor e a produzir», refere Miguel Freitas.
A introdução do vestuário de desporto responde também à necessidade de atenuar o abrandamento produtivo nos meses de verão, entre junho e setembro, período em que produção de fatos de banho e biquínis diminui. «O sportswear vem colmatar um bocadinho a baixa desses meses», explica o diretor comercial.
Após um ano com um decréscimo de 5% na faturação, que atingiu 3,5 milhões de euros, os primeiros meses de 2026 mostram sinais de recuperação. «Estamos a conseguir dar a volta», avança Miguel Freitas, apontando para um aumento de encomendas por parte de clientes existentes e uma maior atividade comercial como fatores determinantes.

