A empresa produtora de peúgas está a reforçar a sua estratégia de valorização do produto e diversificação da oferta, enquanto prepara um novo serviço de envio direto ao consumidor a partir de 2026.
De acordo com Nuno Costa, CEO da Faria da Costa, o foco está na «qualidade do artigo, ou seja, não vamos concorrer com preços, vamos oferecer qualidade». Esta orientação reflete-se sobretudo na escolha dos fios e matérias-primas. «Não utilizamos o algodão normal, utilizámos o algodão compacto e o algodão certificado. Nas lãs, já não utilizamos a lã virgem, passámos a utilizar mais lã merino, alpaca e caxemira, que são produtos de valor acrescentado», explica o CEO ao Portugal Têxtil.
A estratégia, segundo Nuno Costa, tem vindo a ser construída ao longo dos últimos seis anos e vai ao encontro do que os clientes procuram atualmente: «quantidade com alguma qualidade».
A empresa, com sede em Barcelos, mantém a principal produção nas meias de inverno, técnicas, de trabalho e de conforto, mas pretende crescer no segmento desportivo, onde há mais flexibilidade produtiva e menor impacto do fator sazonalidade. «Estes tipos de artigos são anuais, ou seja, não há uma época específica, não há uma sazonalidade tão evidente como temos nos artigos de lã e de inverno», sublinha o CEO da Faria da Costa.
Os principais mercados da empresa situam-se na Alemanha e nos países nórdicos, como a Dinamarca, Finlândia, Suécia e Noruega, com presença também no Canadá e, de forma ainda residual, nos EUA. Neste último mercado, a empresa tem sido procurada sobretudo por start-ups e novas marcas interessadas em produzir na Europa, com quantidades pequenas e proximidade logística.
Com uma capacidade diária de produção entre os 25 mil e os 30 mil pares de peúgas, a empresa registou, no ano passado, uma quebra entre 5% a 10% em quantidade e faturação. No entanto, o impacto foi mitigado e, «entretanto, melhorámos o rácio, ou seja, conseguimos produzir menos com maior valor acrescentado», revela Nuno Costa. Mesmo assim, o CEO antecipa uma nova queda neste ano «porque a procura vem toda concentrada num período de cinco meses» e «com entregas nas mesmas datas de junho, julho e agosto, tivemos de recusar bastantes encomendas por não termos capacidade de entrega em dois ou três meses», salientando que o timing apertado pode comprometer campanhas como a de Natal.
A empresa planeia a ampliação das suas instalações em mais de mil metros quadrados, apesar de o projeto ainda estar dependente de licenciamento. O objetivo não passa por aumentar a produção, mas por oferecer um novo serviço de envio direto ao consumidor final, a partir da unidade de Barcelos. «Queremos oferecer o serviço completo ao cliente», refere Nuno Costa, justificando que muitos dos seus clientes trabalham com marketplaces e beneficiariam deste serviço. O início das novas operações está previsto para maio de 2026.
Quanto às perspetivas de negócio da Faria da Costa para o próximo ano, Nuno Costa pretende que «pelo menos se mantenha. Se calhar vamos ter uma quebra pelos atrasos nas entregas e na colocação das encomendas, principalmente».
