Após um ano desafiante, a empresa de confeção está a reposicionar-se no mercado com uma estratégia centrada na inovação, na diferenciação do produto e na consolidação da presença internacional.
«O ano passado foi um ano mau, tivemos um decréscimo de 50% a 60%» nas vendas, admite Gilberto Santos, CEO da Cordeiro e Campos. «Mas nós preparámo-nos com o tempo para a travagem a fundo», salienta.
A desaceleração do mercado em 2023 levou a empresa a reavaliar prioridades. «Em 2023 apercebemo-nos que 2024 ia ser um mau ano. Começámos a preparar-nos, mudámos a nossa estratégia, as prioridades e os objetivos», revela.
Essa revisão incluiu o reforço da área comercial e o lançamento de um showroom próprio, que exibe peças desenvolvidas em parceria com fornecedores de malhas e bordados. «Percebemos que, mesmo com boas matérias-primas, era necessário valor acrescentado – estamparia, bordados, peças diferenciadas», justifica Gilberto Santos.
A empresa está atualmente a investir em projetos ligados à inovação tecnológica e produtiva, com foco na digitalização, automação e melhoria da eficiência interna. «Estamos a fazer investimentos para inovar algumas partes da empresa», indica o CEO.
A aposta passa também por visitas a feiras de maquinaria para identificar soluções que melhor se adaptem à sua realidade. «Andamos sempre numa busca incessante por algo diferente. Mesmo sabendo que nem sempre há grandes inovações, procuramos máquinas e processos que se ajustem à nossa realidade», sublinha Nélson Santos, diretor comercial da empresa. «Temos feito investimentos que agilizam o trabalho diário e facilitam a digitalização», acrescenta.

Com 98% das vendas concentradas na Europa, a Cordeiro e Campos mantém a ambição de expandir a presença no mercado norte-americano. «Os EUA são um objetivo a atingir. Estamos a remar contra a maré, mas é quando há crise que se inova», acredita Gilberto Santos. Embora ainda sem vendas diretas para o mercado americano, a empresa já estabeleceu contactos sólidos. «Vender a imagem é o que mais nos interessa neste momento», refere Nélson Santos, acrescentando que há «boas perspetivas. Estamos otimistas», até porque «estamos a trabalhar clientes para o curto e médio prazo. Há muita coisa em desenvolvimento».
As feiras internacionais – participou em vários certames nos EUA e estreou-se na Première Vision em Paris em setembro – têm desempenhado um papel essencial neste processo. «É semear e esperar. Este ano pode ser uma seca e não dar nada. Para o ano pode ser produtivo», sublinha o diretor comercial. O contacto direto com compradores e agentes locais tem permitido construir uma base de dados real, em vez de dependência de intermediários. «É diferente ler dados e estar cara a cara com a pessoa», assinala Gilberto Santos.
Apesar das dificuldades conjunturais que estão a afetar o mercado, a Cordeiro e Campos mantém uma perspetiva positiva para o curto prazo. «Felizmente está a ficar melhor. Esperamos atingir o break-even em 2025 e retomar os níveis de 2023 em 2026», antecipa Gilberto Santos.
A empresa quer consolidar os ganhos obtidos com o investimento em imagem e inovação e prosseguir o crescimento de forma sustentada. «Estamos a apostar no que nos diferencia: qualidade, personalização e serviço», resume o CEO.
A filosofia da Cordeiro e Campos passa também pela valorização da produção nacional têxtil e de vestuário enquanto cluster. «A ideia é trazer mercado para Portugal. Se trabalharmos bem, com qualidade, dá para todos», conclui Gilberto Santos.
